Há dois meses a demora na demarcação da terra
indígena tupinambá acirra o conflito no Sul da Bahia. A intensa luta dos
indígenas para garantir efetivamente seus direitos territoriais trouxe a
comissão executiva do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da
Bahia, o Mupoíba, nesta quinta-feira (19.09), para um debate com o
vice-presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Yulo Oiticica (PT).
Durante o encontro, a executiva apresentou ao
parlamentar os pontos que travam a realização do processo demarcatório e
tornaram a solicitar a presença de Yulo como mediador do impasse. O
vice-presidente, que também compõe a Comissão de Direitos Humanos e Segurança
Pública da Casa Legislativa, chamou atenção para o alto índice de violência
enfrentada pelos tupinambás e a necessidade de resolver o conflito o quanto
antes. “Não podemos aceitar que os índios sejam ameaçados o tempo inteiro. É
preciso que o governo federal e o governo estadual tenham uma ação imediata,
não só para repactuar a perspectiva de construir a paz, mas para fazer justiça.
É preciso demarcação imediata para que os índios tenham o que é de direito”,
reiterou Oiticica. Ao total são 54 mil índios no Estado da Bahia, de 21 etnias,
que habitam 31 municípios e lutam para impedir as tentativas de retrocesso que
ameaçam seus direitos. Integrante do Mupoíba, o Cacique Gildo Tupinambá é a
favor de frear os conflitos, mas caso seja necessário, as ações de retomadas
territoriais podem ser intensificadas até garantirem seus objetivos.
“A gente
quer amenizar o problema, mas não basta só o Governo demarcar, é preciso pagar
indenização para que o conflito chegue ao fim de vez”, pontuou Gildo Tupinambá.
