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Idália Maturino subiu na torre para protestar morosidade em processo
de adoção por volta das 13h e só foi resgatada.
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Desespero por não conseguir
legalizar o processo de adoção de dois meninos. Esse foi o motivo a levar
Idália Maturino, 44 anos, a subir numa torre de telefonia, na Rua Dois de Julho
e tentar o suicídio. De acordo com informações de Cintia Maturino, filha de
Idália, a mãe há quase 15 anos luta insistentemente junto a justiça para
legalizar a situação, mas não obtém êxito. “Meus irmãos não têm RG, não podem
viajar com a minha mãe porque não tem nenhum documento que comprove a adoção.
Um dos meninos sonha em estudar no IFBA, porém não pôde participar do processo
seletivo porque ele não tem documento”, revelou Cintia sendo amparada por
amigos, pois estava muito abalada. A todo o momento,
familiares e amigos ligavam para Idália e suplicavam que ela descesse da torre
e não cometesse o suicídio. A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Defesa
Civil acompanharam as negociações. “Fomos acionados pelo 199. Desde o início da
tarde que ela já está no alto da torre”, comentou o coordenador da Defesa
Civil, Mauricio Bonfim. “Minha irmã está desesperada. Ela é uma mãe
amorosa, amada. Esses meninos são a razão de viver dela. Estou agoniada, Idália
não pode fazer isso. Ainda por cima estou ouvindo uns burburinhos que a juíza
disse a defensora que vai exigir um documento que comprove a integridade
psicológica da minha irmã e que por conta disso vai demorar ainda mais para
assinar a sentença”, declarou em meio a lágrimas, Aldenira Maturino.
Tragédia Anunciada
Na manhã desta quinta-feira (19) duas cartas foram protocoladas na Defensoria
Pública. Uma para ser entregue a defensora pública Liana Conceição e a outra
para a juíza Mariana Deiró, da 1ª vara crime de Camaçari. “As cartas
chegaram lá na Defensoria Pública, às 9h e o teor do texto era que ela iria
cometer o suicídio. É um absurdo a morosidade no processo de adoção desse país.
Até hoje ela só tem a guarda provisória desses meninos”, declarou indignada
Ivana Cerqueira, secretaria da Defensoria Pública de Camaçari. O Camaçari Fatos
e Fotos (CFF) teve exclusivo acesso a carta escrita por Idália
Maturino. “Essa juíza só diz que a prioridade é réu preso [quando o juiz pede urgência na
tomada de decisão, pois o réu encontra-se preso]. Ela precisou parar de
trabalhar para poder cuidar desse processo, pois um mês que ela deixou de ir ao
fórum o processo foi arquivado”, contou a amiga Gicélia dos Santos. A defensora
pública Liana Conceição estava presente no local, mas não quis conversar com a
imprensa. Só depois de uma conversa por telefone com o tenente Jesus foi
que Idália se prontificou a descer da torre. “Ela me pediu para acompanhá-la
até o fórum. Ela está muito nervosa por conta do processo de adoção dos
filhos”, informou o tenente. Já passava das 16h quando, felizmente, integrantes
do corpo de bombeiros alcançaram Idália e a retiraram da torre. Ela foi levada
por uma ambulância da SAMU para o posto da Nova Aliança para passar por uma
breve avaliação médica.
Leia abaixo conteúdo da carta de
despedida escrita por Idália Maturino
Camaçari
Att
Srª Defensora Publica Liana Santos
Querida Defensora Amiga deste Povo!
Venho através desta me despedir com o coração arrebentado, estou no estado de muita revolta com Drª Mariana Deiró, pois o meu filho que completa 15 anos no próximo mês não vai poder se matricular no UIFBA (sic), para fazer o curso que ele tanto quer se profissionalizar.
Diante de tudo isso não agüento mais tanto descaso da justiça e resolvi desistir de tudo.
Colocar um ponto final nesta história, não sei mais o que fazer para meus filhos que quer os documentos.
Está será a última vez que irei falar contigo.
Adeus minha amada!
Te amo muito
Idália Maturino dos Santos
Att
Srª Defensora Publica Liana Santos
Querida Defensora Amiga deste Povo!
Venho através desta me despedir com o coração arrebentado, estou no estado de muita revolta com Drª Mariana Deiró, pois o meu filho que completa 15 anos no próximo mês não vai poder se matricular no UIFBA (sic), para fazer o curso que ele tanto quer se profissionalizar.
Diante de tudo isso não agüento mais tanto descaso da justiça e resolvi desistir de tudo.
Colocar um ponto final nesta história, não sei mais o que fazer para meus filhos que quer os documentos.
Está será a última vez que irei falar contigo.
Adeus minha amada!
Te amo muito
Idália Maturino dos Santos
Fonte CFF
