O
cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antônio
Teixeira avaliou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em aceitar a
possibilidade dos embargos infringentes e, consequentemente um novo julgamento
para 12 dos 25 réus do mensalão, deve provocar um debate
"contaminado" nas eleições presidenciais do ano que vem,
quando a presidente Dilma Rousseff (PT) concorrerá à reeleição. "Se por
uma lado o resultado foi bom para o (ex-ministro) José Dirceu e o (deputado)
José Genoino, ambos do PT, se o julgamento se estender até as eleições de
outubro de 2013 poderá ser ruim para a candidatura de Dilma, já que o debate
deve estar contaminado pelo tema e colocará a candidata do governo na
defensiva", avaliou. Teixeira ressaltou, porém, que o mensalão esteve
presente nos últimos dois pleitos presidenciais e não causou muito impacto do
ponto de vista eleitoral, já que em 2006 Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito
e em 2010 Dilma se elegeu. "O problema é que tira outros temas da agenda
eleitoral. É ruim para todo o processo. O ideal seria que se resolvesse o
quanto antes e o debate ocorresse livre desse tema", disse. Para o
professor da FGV, outro ponto que chamou a atenção no processo, desde o início
do escândalo, é que não houve um avanço institucional decorrente dessa suposta
compra de votos de parlamentares ocorrida no primeiro mandato de Lula. "Do
ponto de vista do Legislativo não houve melhoria na relação com o Executivo.
Estamos usando pouco como aprendizado. Como tornar as instituições menos
nocivas, por exemplo", afirmou.
Fonte Exame
