Os deputados estaduais têm
uma maratona de votação de projetos na sessão desta terça-feira (3) para
"dar uma baixa na pauta". Entre as matérias previstas, há pelo menos
três temas polêmicos: o Programa de Recuperação Fiscal
(Refis); as finanças do governo de 2008 e 2009 e do Tribunal de
Contas do Estado (TCE) e dois empréstimos para incrementar os cofres da máquina
estadual. Além deles, há duas propostas para o setor de educação – uma que
reduz a carga horária do professor em duas horas e outro que garante benefícios
normais aos docentes que voltarem à atividade após afastamento – e outra que
concede diária para acompanhante de portadores de deficiência que estiverem a
serviço do Estado. De acordo com o líder da maioria na Casa, Zé Neto (PT), em
entrevista ao Bahia Notícias, à exceção do Refis, "está tudo
acordado" entre as bancadas. Apesar disso, a sua própria projeção do que
vai ocorrer nas próximas horas não é positiva. "A gente vai conversando,
mas a oposição vai obstruir", estimou. De acordo com o comandante da
minoria, Elmar Nascimento (sem partido) – que nega haver orientação aos
liderados para emperrar a sessão –, no caso do Refis, o impasse reside no fato
de que o projeto prevê um prazo de seis meses para o pagamento de débitos pelo
setor privado, o que foi alvo de críticas das federações da Indústria (Fieb) e
do Comércio (Fecomércio), que articularam junto a oposição uma mudança no
texto. Segundo Elmar, 90% da dívida é referente a pequenos e microempresários.
"Se eles estivessem tão bem [financeiramente] pagavam em seis meses",
disse o parlamentar, ao sugerir um escalonamento de 12, 24 ou 36 meses,
de acordo com o valor a ser financiado, proposta acordada com as entidades.
"Por enquanto, o governo não se dispôs a mudar e negociar. O Estado sabe
quem são os grandes devedores [empresários] e só quer a homologação do
projeto", opinou. Em relação às prestações do governador Jaques Wagner, o
parlamentar manteve o discurso da ala de que a atual crise financeira é reflexo
de supostas incorreções na Secretaria da Fazenda, na gestão de Carlos Martins.
"Nós vamos apontar os vícios que vêm desde 2008 e remontam o caos vivido
hoje", comparou. Sobre os empréstimos, diz o líder, a oposição condiciona
a aprovação à permissão do governo para "o acompanhamento da execução
orçamentária do dinheiro para que não sejam desviados recursos para custeio
como tem acontecido". Com a divergência entre situação e contrários, a
expectativa é a de que os debates na AL-BA varem a madrugada
Fonte Bahia Notícias
