Sacha
Mamede. Esse é o nome do homem que era o responsável por divulgar a marca
Esporte Clube Bahia durante a gestão do ex-presidente – destituído do posto –
Marcelo Guimarães Filho (MGF). Criticado por não conseguir alavancar o
departamento de marketing, Mamede – que deixou o cargo junto com ex-gestor –
resolveu falar e não poupou críticas á direção MGF. Um dos pontos que mais
teria prejudicado o marketing tricolor, segundo a analise de Mamede, foi a
falta de investimento por parte da direção no setor. Questionado se teria
faltado dinheiro para investimentos ele foi incisivo: “Em muitos momentos, sim.
Várias vezes”, revelou para o Correio. A declaração inicial do profissional foi
seguido por um longo desabafo. “Se a gente tivesse condição, uma locação como na
época em que eu trabalhava na Rede Bahia, por exemplo, seria mais viável.
Quando eu trabalhei nessa empresa, a gente trabalhava em um setor onde
aprovávamos um orçamento no final do ano para que, no ano seguinte, pudéssemos
trabalhar em cima dessa grana, só que a gente não tinha essa grana No Bahia não
teve esse equilíbrio financeiro. Até existia um planejamento, mas não havia uma
conta efetiva no financeiro, com grana destinada ao marketing. O que eu fazia,
era o seguinte: tem que fazer uma revista do Bahia. Eu que tinha que investir
até o ganho institucional do clube, porque a revista obviamente tem que dar
resultado. Institucionalmente, para a marca e para o clube, era interessante
ter esse material, ter uma revista do Bahia, mas em determinados momentos, essa
questão de necessidade e prioridade acaba passando por cima disso. Ficávamos em
segundo plano mesmo”. Outro ponto que foi alvo de reclamações por parte da
torcida tricolor faz referência a falta de investimento na associação de novos
sócios. “A gente tinha algumas amarras em relação a isso, até por questão de o
estatuto não permitir diminuir o valor da joia ou de se abrir o clube como foi
feito neste momento. Isso impossibilitava a gente de expandir mais o
número de associados. Além disso, eu acredito que pelo nosso estado ser muito
pobre, isso pode não dar certo a longo prazo. Eu desejo que o número só cresça,
mas quero ver quem vai ter condição de ficar pagando 40 reais todo mês. Ainda é
cedo para avaliar, mas muita gente se associou em um momento de emoção, de
mudança, tudo novo, das pessoas quererem mudar, mas acho que nosso estado
é pobre, nosso torcedor é um torcedor pobre também, que tem que arranjar grana
para ir para o estádio, para comprar camisa... E esse torcedor pobre tinha que pagar
R$ 300 reais pela joia... É, mas eu não tinha poder de mudar isso”. Questionado
sobre a falta de conhecimento do perfil do torcedor do Bahia. Mamede disse que
os estudos eram feitos por páginas de relacionamento. “A gente fazia muitas
pesquisas, muitas mesmo. Tudo via internet, Facebook, redes sociais”, e
justificou o porque não fez um levantamento auditado por uma empresa durante os
três anos que esteve na marketing tricolor. “A gente estava na iminência de
fazer. Estávamos pensando em contratar uma empresa para isso, justamente porque
lançamos nosso plano de sócios patrimoniais. Queríamos um instituto de pesquisa
justamente para ter uma visão mais real do que vem pela frente, mas cai de novo
na questão do que era prioridade para o financeiro. Por exemplo, eu chego
para o presidente e digo que precisamos de uma pesquisa que custa
"X", mas tem o salário do jogador para pagar, que é sempre
prioridade. A pesquisa acaba sendo jogada para depois”, criticou.
