Após
denúncias de espionagem, presidente Dilma Rousseff decidiu cancelar visita
oficial que faria aos Estados Unidos em outubro
Após o Palácio do Planalto
confirmar em nota, na tarde desta terça-feira, que a presidente Dilma Rousseff
decidiu cancelar sua visita oficial aos Estados Unidos planejada para
outubro, a Casa Branca também divulgou um pronunciamento confirmando
o cancelamento do encontro da chefe do Executivo brasileiro com o presidente
americano Barack Obama. Segundo a nota divulgada pela Casa Branca, Obama
entende a preocupação do governo brasileiro com as denúncias de espionagem da
inteligência americana e deseja trabalhar junto com o governo brasileiro “para
ultrapassar esta questão como uma fonte de tensão” na relação dos dois
países. “O presidente Obama espera receber a presidente Dilma Rousseff em
Washington em uma data a ser acordada mutuamente. Outros importantes
mecanismos de cooperação, incluindo diálogos entre os presidentes sobre
cooperação política, econômica, energética e de
defesa serão mantidos”, diz a nota do governo americano. De acordo com a
Casa Branca, Obama solicitou uma revisão da postura da inteligência do governo
americano, “mas o processo ainda levará vários meses para ser completado”. Após
denúncias, Dilma cancela visita aos Estados Unidos Na noite de
segunda-feira, Dilma se reuniu com o ministro das Relações Exteriores,
Luiz Alberto Figueiredo Machado, para discutir o retorno dado pelo governo
americano aos questionamentos do Brasil sobre as denúncias de espionagem.
Durante o encontro de ontem, ela recebeu um telefonema do presidente
americano Barack Obama, com quem conversou por cerca de 20 minutos. Em São
Petersburgo (Rússia), onde se encontrou com Obama às margens da reunião do G20,
Dilma cobrou que os EUA revelassem “tudo” o que tinha levantado por meio de
espionagem. Hoje, no comunicado, o governo brasileiro considera que “constituem
fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos
individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos”.
O tom, no entanto, foi menos assertivo do que o empregado pela presidente Dilma
Rousseff ainda na Rússia. Ao anunciar o cancelamento da visita, o governo
brasileiro alega que os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado,
pois os resultados desta visita não devem ficar condicionados a um tema cuja
solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada. “O governo
brasileiro confia em que, uma vez resolvida a questão de maneira adequada, a
visita de Estado ocorra no mais breve prazo possível, impulsionando a
construção de nossa parceria estratégica a patamares ainda mais altos”, afirma
outro trecho do comunicado. Segundo o Planalto, apesar de Dilma ter desistido
de realizar a viagem, o “governo brasileiro tem presente a importância e a
diversidade do relacionamento bilateral, fundado no respeito e na confiança
mútua”. Dilma condicionou sua visita a um momento político apropriado, que
interlocutores acreditam não haver. Na semana que vem, a presidente fará o
discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Na ocasião, ela
deverá condenar a prática da espionagem a governos e empresas sob o argumento
de manutenção da segurança nacional.
Fonte Terra
