Doença inflamatória intestinal:
Laboratório japonês desenvolveu nova droga que pode ajudar a tratar doença de
Crohn e colite ulcerativa (Thinkstock)
Dois estudos concluíram que nova droga pode ajudar pacientes com doença
de Crohn ou colite ulcerativa que não responderam às terapias convencionais
Os resultados finais de dois testes clínicos
envolvendo um novo medicamento mostraram que ele é eficaz em tratar a doença de
Crohn e a colite ulcerativa, as duas principais formas de doenças inflamatórias
intestinais. De acordo com os estudos, o tratamento pode ajudar pacientes que
não responderam às terapias convencionais sem oferecer efeitos adversos graves.
As pesquisas foram publicadas nesta quarta-feira na revista The New England Journal of Medicine. A doença de Crohn
e a colite ulcerativa se caracterizam por um quadro crônico de inflamação no
intestino. As causas dessas duas condições, porém, ainda são desconhecidas.
Sabe-se que as células do sistema imunológico presentes no intestino de
pacientes com esses problemas liberam citocinas, um tipo de proteína
responsável por desencadear a inflamação, causando danos nos tecidos dos
intestinos grosso e delgado e provocando diarreia.
A terapia
testada nos dois estudos envolve o vedolizumab, uma molécula desenvolvida pelo
laboratório japonês Takeda. A substância, administrada via
intravenosa, age atacando justamente essas células do sistema imunológico
do intestino. As duas pesquisas avaliaram a eficácia do medicamento no
tratamento de cada uma dessas duas doenças. Juntos, os estudos envolveram cerca
de 3.000 pessoas de 39 países diferentes com idades entre 18 e 80 anos. Parte
delas sofria de doença de Crohn e o restante, colite ulcerativa.
Segundo
os responsáveis pelos estudos, o tratamento é direcionado, não afetando outras
regiões do corpo, o que limita o risco de efeitos adversos mais graves. As
terapias convencionais frequentemente provocam perda de peso, náuseas ou dores
de cabeça, além de enfraquecerem o sistema imunológico do paciente, aumentando
a exposição a infecções. “Os dois estudos mostraram resultados altamente
encorajadores para pacientes que sofrem de doença de Crohn ou de colite
ulcerativa moderadas ou graves que não responderam a tratamentos convencionais,
como esteroides e drogas imunossupressoras, por exemplo”, diz William Sandborn,
diretor do Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Universidade da
Califórnia em San Diego, Estados Unidos, que coordenou uma das pesquisas.
“Essas novas descobertas potencialmente vão levar a um novo tratamento que
melhorará a qualidade de vida dos pacientes.” O laboratório Takeda informou que
vai submeter a droga à aprovação do Food and Drug Administration (FDA) e da
European Medicines Agency (EMA), agências reguladoras dos Estados Unidos e da
Europa, respectivamente. Por enquanto, ela não está disponível para uso
clínico.
Fonte
Veja (Com agência France-Presse)
