O primeiro canal da transposição do rio São
Francisco, que inicialmente seria inaugurado pelo ex-presidente Lula em 2010,
avançou apenas 1% no último ano e não ficará pronto até o fim do governo Dilma
Rousseff. O chamado eixo leste da transposição, iniciado por Lula em 2007 e que
corta Pernambuco e Paraíba, somente deverá ficar pronto em dezembro de 2015,
segundo a previsão oficial do governo. Assim, se as obras de fato avançarem,
caberá ao próximo presidente eleito cortar a fita dos dois canais que o governo
promete levar água a 12 milhões de habitantes de Pernambuco, Paraíba, Rio
Grande do Norte e Ceará. Além do eixo leste, há o eixo norte, que cruza
Pernambuco, Ceará e Paraíba e tem previsão de entrega também ao final de 2015.
Um dos carros-chefes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), vitrine de
Dilma na campanha presidencial de 2010, a transposição do São Francisco deve
ser um dos temas da disputa eleitoral do ano que vem.
CRONOGRAMA
Até
novembro de 2012, o governo federal prometia os 217 km do eixo leste da
transposição para dezembro de 2014, com percentual de execução à época em 51%.
No entanto, balanços do PAC divulgados ao longo deste ano mostram que o
percentual não saiu da marca de 52% desde fevereiro. Apesar da estagnação, o
Ministério do Planejamento, responsável pelos balanços, avaliou que o ritmo das
obras passou do estágio de "atenção" para "adequado". Entre
fevereiro e outubro, o outro braço da transposição, o eixo norte, saiu de 34%
para 43% de execução. Quando a obra foi lançada, há seis anos, após uma série
de embates de políticos e entidades contrários à transposição, o então
presidente Lula prometia o primeiro trecho (o leste) para 2010. Toda a
transposição ficaria pronta em 2012 por R$ 4,6 bilhões. Alguns trechos foram
licitados de novo. Agora, pelo atual cronograma, a obra só deverá ficar pronta
em 31 de dezembro de 2015, num custo total de R$ 8,2 bilhões. Até o final do
ano eleitoral de 2014, o governo terá gasto R$ 7,7 bilhões desde o início das
obras. Depois de 2014, ainda há previsão de gastar outros R$ 561 milhões.
